Blog da Editora Dialética

25 de Julho: Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

No Brasil, a data também é uma homenagem a Tereza de Benguela, líder quilombola do século 18.

Este 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e no Caribenha em homenagem à luta e resistência das mulheres negras. Este ano marca os 19 anos da data e, infelizmente, o racismo e o machismo continuam intrínsecos na realidade brasileira.

A representação política da mulher negra ainda é muito baixa no país, a diferença salarial entre um homem branco e uma mulher negra, por exemplo, com a mesma escolaridade, é superior a 100%.

Dados do Insper, publicados em 2020 e em 2017, apontam que 66% dos homicídios femi euninos foram de mulheres negras.

Esses dados não deixam margem a dúvida de que a luta contra o racismo e o machismo é urgente e imperativa. Do contrário, esses antigos preconceitos e violências persistirão, e uma sociedade mais justa e pacífica estará cada vez mais longe de ser atingida, não apenas para as mulheres negras, mas também para os demais grupos sociais.

Superintendencia de inclusão, políticas afirmativas – Sipad

No Brasil, a data também é uma homenagem a Tereza de Benguela, conhecida como “Rainha Tereza”, que viveu no século 18, em Mato Grosso, e liderou o Quilombo Quariterê.

As mulheres negras são de fato mulheres muito fortes, inteligentes, bonitas, lutadoras e com diversas outras carácteristicas. Porém, no Brasil ainda temos um apagamento muito forte das qualidades das mulheres negras justamente por serem negras.

Independente da idade, relevância social ou posição que as mulheres negras ocupam, elas são em sua maioria vistas como objeto sexual, ofendidas, muitas das vezes tidas como incapazes profissionalmente quando exercem um cargo além daquele determinado para ela como empregada do lar, são questionadas, considerados como as não bonitas, porque não estão dentro de um “padrão” de beleza social, são em certos casos escravizadas ainda no século 21 e são violentadas mesmo quando realizam o seu sonho de ser mãe. Isso porque são mulheres negras.

No entanto, as mulheres negras são perfeitas, tem características perfeitas, são incrivelmente profissionais e extremamente inteligentes e capazes de estar onde querem estar, inteiramente por seu próprio mérito.

Assim, as mulheres negras devem sempre saber que nada sobre elas precisa mudar, a mentalidade social que já passou da hora de mudar.

Feliz Dia Internacional da Mulher negra Latino-americana e Caribenha para todas nós mulheres negras!

Seja uma pessoa antiracista, conscientize-se com livros:

Intelectuais negros, memória e educação antirracista: uma leitura de Abdias Nascimento e Edison Carneiro

Sinopse: Este livro versa sobre intelectuais negros, memória, tradição, insurgência e educação antirracista tomando como pano de fundo o conjunto de obras de dois autores negros brasileiros: Edison Carneiro e Abdias do Nascimento. As reflexões giram em torno das relações entre estas temáticas e a escrita destes autores, apresentados enquanto vozes insurgentes que compõem novos quadros interpretativos sobre as experiências das populações negras, contribuições relevantes para a (re)configuração da memória e também para a construção de uma educação antirracista e multiculturalista. Os debates realizados giram em trono de uma reflexão aprofundada sobre qual é a memória hegemônica nos processos educacionais institucionalizados, quais os conteúdos e proposições das obras dos autores selecionados. Estas obras são situadas num quadro de memória protagonizado por intelectuais negros/as, alicerçado no combate ao racismo, ao colonialismo e na criação/proposição de conhecimentos que têm como meta sociedades mais inclusivas e igualitárias. Alguns campos teóricos são diálogos destacados: Estudos Culturais e Pós-coloniais, Estudos Étnicos e autores/as negros/as diversos(as) tratados aqui como um campo de Pensamento Negro. Do ponto de vista do método apresenta uma proposição teórica a partir de Bakthin e Glissant, enfocando o dialogismo para uma leitura realizada enquanto uma “tradução” do discurso manifesto dos autores, mas, também, das “linhas marginais” do texto.

Leitura da HQ Angola Janga no ensino de história: uma reflexão sobre o racismo e a escravidão

Sinopse: Com o objetivo de construir possibilidades de uma práxis educativa transformadora, este trabalho visa uma proposta de ensino de História através da narrativa gráfica Angola Janga (2017) de Marcelo D?Salete. A pesquisa consiste em um estudo histórico crítico acerca do sistema escravocrata responsável por estabelecer uma hegemonia racista no Brasil, que inibiu a construção de uma identidade orgânica dos negros e deslegitima a cultura afrodescendente, como pode-se verificar em diferentes historiografias, nos currículos prescritos e na cultura da mídia e, em especial, nas histórias em quadrinhos. Ao propormos uma possível leitura da obra, refletimos sobre sua potencialidade para trabalhar o tema e promover uma discussão acerca do racismo estrutural em sala de aula. A fim de reduzir o distanciamento entre o currículo prescrito e o ativo, defendemos a importância do ensino de história contextualizado com a cultura escolar que deve guiar a escolha de materiais e conteúdos que auxiliam e conduzem o trabalho docente na formação do conhecimento histórico. Desse modo, apresentamos três propostas pedagógicas coerentes com a utilização dos quadrinhos na educação que objetivam uma transformação social: a de Dermeval Saviani, com a pedagogia histórico-crítica; a de István Mészáros, que pensa uma educação para além do capital; e a de Allan da Rosa, que elabora a Pedagoginga enquanto uma educação necessária para recuperar a ancestralidade do negro apagada pela hegemonia. Por fim, expomos duas formas possíveis de como levá-las ao ensino em concordância com as propostas pedagógicas analisadas no trabalho. Portanto, procuramos dar condições para que professores possam se apropriar de uma historiografia crítica que embasa a leitura de Angola Janga e, assim, possam promover um ensino coerente e de desenvolvimento crítico de seus alunos, estabelecendo uma pedagogia do conflito em contraposição à pedagogia do consenso presente nas prescrições curriculares que apenas reconhece as culturas minoritárias, mas não objetiva trazer as mudanças que almejamos alcançar.

Encontre mais obras antirracistas na loja da Editora Dialética.

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